O ser humano tem a corrida no sangue desde sua origem. O ato da
concepção promove uma disputa natural, em que o espermatozóide mais
rápido e “bem condicionado” é que fecunda o óvulo e dá
origem ao homem, nove meses depois.
No
ato sexual, uma boa condição física também ajuda, já que a
atividade de procriação é também um exercício físico. Pele rosada,
suor, batimento cardíaco e frequência respiratória acelerados etc.
Esses sintomas descritos podem estar relacionados à corrida, mas
também à prática sexual.
“O
sexo pode ser considerado um tipo de atividade física. Um ato
sexual convencional tem uma intensidade de aproximadamente 4,5 a
5,0 METs (um MET é o consumo de oxigênio em repouso). Isso equivale
a um trote entre 7,2 e 8,0 km/h”, explica José Kawazoe
Lazzoli, cardiologista, médico do esporte e presidente da Sociedade
Brasileira de Medicina do Exercício e do
Esporte.
“Claro
que depende da forma como é feito, mas uma relação sexual que dure
em média de 10 a 15 minutos pode gerar uma perda de 200 a 450
calorias. Não podemos dizer, por exemplo, que o sexo serve para
perder peso, ou uma melhora cardiovascular, mas também pode ser
considerado uma atividade física”, completa Renato Romani,
fisiologista da Unifesp.
Corrida
e o sexo
Um
bom condicionamento também pode ser benéfico na hora do ato sexual.
Por ambos exigirem um certo preparo, quem corre está mais apto a
suportar todas as exigências físicas na hora da transa, como
explica Martin Portner, médico neurologista e autor do livro
“Inteligência Sexual”.
“A
relação sexual com penetração exige movimentos pélvicos que
consomem energia e força muscular. É comum a descrição de casais
com mais de 50 anos e sedentários que interrompem a caminhada rumo
ao orgasmo por cansaço. Além disso, o cansaço pode, no homem,
desinflar a ereção. Portanto, um bom condicionamento físico é
essencial para uma relação sexual
satisfatória”.
“A
prática da corrida, aumentando a capacidade funcional, pode fazer
com que um ato sexual, com intensidade entre 4,5 e 5,0 METs,
represente um menor percentual do "máximo" do indivíduo. Em outras
palavras, o sujeito vai se cansar menos durante o ato
sexual”, completa Lazolli.
Mas
e a libido, o apetite sexual, será que aumenta com a prática do
esporte? Romani explica. “Não podemos dizer que correr
aumenta a libido, mas com a atividade física, o corredor tem uma
maior produção de testosterona, que tem relação direta com o
desempenho sexual”.
Sexo
e a corrida
A
relação sexual traz uma série de benefícios para quem pratica uma
atividade como a corrida, como o relaxamento da tensão e dos
músculos, ajuda também a queimar calorias, além de aliviar o
estresse e melhorar o humor. Desta forma, uma vida sexual ativa
pode ter influência na hora das passadas.
“A
sensação de bem-estar gerada pelo coito após uma relação sexual é
maior do que a de completar uma maratona. O sexo ajuda a aliviar as
tensões, o estresse, e, consequentemente, dá mais ânimo não só para
a prática da corrida, mas para a vida”, fala Romani, que
completa. “Assim como a corrida, o sexo também libera
endorfina, e é esta descarga hormonal gerada por ele que dá a
sensação de relaxamento”.
E
antes da prova?
Durante
a Copa do Mundo de Futebol realizada no Japão, em 2002, o técnico
Luiz Felipe Scolari proibiu os atletas da seleção brasileira de
manterem relação sexual durante a concentração para os jogos. Ele
afirmava que isso poderia prejudicar a preparação dos
atletas.
Felipão
provou sua tese. O Brasil foi campeão mundial naquele ano. Mas e
quando o assunto é corrida? Será que “aliviar as
tensões” na noite anterior a uma prova pode prejudicar suas
passadas?
“Para
algumas pessoas o ato sexual pode servir para relaxar um pouco,
dissipando assim o nervosismo natural antes de uma prova. Não vejo
nenhuma influência no resultado da corrida”, afirma
Lazzoli.
Por Fausto Fagioli Fonseca








